Transcrição:
Bardo Thödol — A Grande Libertação pela Audição
Em breve, todos morreremos, levando conosco nossas esperanças e nossos medos. Tudo isso será irrelevante na continuidade luminosa da existência, que não tem origem e nunca termina.
Os seres humanos projetam todas as imagens da vida e da morte: terror e alegria, demônios e deuses. Essas imagens se tornam toda a nossa realidade, e nós nos submetemos a elas sem pensar. Dançamos todos os movimentos dessa dança.
Projetamos nossos maiores medos sobre a morte e fazemos todos os esforços possíveis para ignorá-la.
Tudo o que possui forma se desfaz. Tudo o que se reúne acaba se dispersando. Somos como abelhas solitárias neste mundo, fervilhando e buscando, sem encontrar um lugar definitivo para descansar.
Por isso, oferecemos esta oração:
“As ilusões são tão variadas quanto os reflexos da Lua sobre as ondas. Os seres ficam facilmente presos em uma rede confusa de sofrimento. Que eu possa desenvolver uma compaixão ilimitada como o céu, para que todos possam descansar na clara luz do próprio conhecimento.”
O jovem monge e seu professor
Este é Tüton Saring. Ele tem treze anos e é monge noviço há cinco anos. Vive em um mosteiro situado em uma pequena cidade próxima à fronteira com o Tibete.
Este é seu professor, Lama Pema Chöden. Assim como Tüton, ele nasceu em uma família pobre de agricultores. Passou toda a sua vida estudando e praticando os ensinamentos budistas.
Quando os chineses invadiram o Tibete, Pema Chöden fugiu do mosteiro em que se encontrava, mas retornou para carregar nas costas cem volumes de sutras e outros textos sagrados. São esses textos que ele ensina a Tüton e aos demais jovens monges.
Os sutras registram as palavras do Buda. Pema Chöden mostra como esses ensinamentos têm guiado as pessoas pelo caminho do despertar há mais de dois mil anos. Ele toma o cuidado de fazer com que seus alunos compreendam o verdadeiro significado dos ensinamentos e saibam aplicá-los corretamente na vida cotidiana.
O budismo sempre foi ensinado dessa maneira: diretamente do professor ao aluno. Pema Chöden ensina exatamente como foi ensinado.
O chamado para auxiliar um moribundo
Certo dia, enquanto Tüton Saring preparava a refeição da manhã, seu professor lhe disse:
— Um homem da aldeia vizinha está morrendo. Partiremos cedo amanhã para ajudá-lo. Iremos até lá todos os dias durante as próximas sete semanas e leremos diariamente o Bardo Thödol para ele.
O professor enviou Tüton à biblioteca do mosteiro para buscar o texto.
O Bardo Thödol, conhecido no Ocidente como O Livro Tibetano dos Mortos, é um guia destinado às pessoas que estão morrendo. Ele é utilizado nos países budistas da região do Himalaia.
O texto foi escrito no século VIII por Padmasambhava, mestre que levou o budismo tibetano àquela região. Desde então, tornou-se parte integrante da vida das pessoas.
O Bardo Thödol é tradicionalmente lido em voz alta para a pessoa falecida durante 49 dias, período considerado habitual entre a morte e o renascimento.
Esta seria a primeira vez que Tüton auxiliaria seu professor nesse ritual.
O que acontece quando morremos?
Quando morremos, perdemos tudo aquilo que considerávamos real.
Caso não consigamos nos desapegar das coisas que valorizamos durante a vida, ficamos aterrorizados. Se continuarmos lutando para nos agarrar à antiga existência, o medo e o desejo nos conduzirão novamente a uma realidade dolorosa.
Mas para onde vai a consciência?
Na verdade, estamos sempre atravessando estados de transição chamados bardos.
O título do Bardo Thödol significa A Grande Libertação pela Audição no Estado Intermediário. O texto descreve as transições entre a morte e uma nova vida.
Enquanto o texto é lido em voz alta para orientar o moribundo, torna-se mais claro aquilo que acontecerá com ele.
Sonam e sua família
Sonam vive em uma aldeia próxima. Sua família é profundamente religiosa, e seu pai idoso frequenta o templo regularmente.
É Sonam, o segundo filho da família, quem está morrendo. Ele foi acometido por uma doença durante uma viagem de negócios, apesar de ter apenas 42 anos.
Será difícil para ele abandonar seu apego a este mundo. Deixar sua esposa e seu pai idoso será muito doloroso. Esse apego poderá fazer com que vague durante os 49 dias seguintes à morte, preso à dolorosa incerteza do bardo.
Ao chegar à casa, o lama é recebido pelo pai de Sonam:
— Obrigado por ter vindo.
— Você está bem, meu velho?
— Estou bem, mas meu filho…
O lama fará tudo o que puder pelo moribundo e também por sua família, que está profundamente abalada pela perda repentina de um filho, marido e parente amado.
O bardo da morte
O bardo da morte começa com o colapso físico do corpo e termina quando corpo e consciência se separam.
Enquanto estamos vivos, os elementos terra, água, fogo e ar sustentam e condicionam nossa consciência e nossa percepção. A morte ocorre quando essa sustentação deixa de existir.
Sem as telas e os filtros da vida cotidiana, a própria mente pode ser vista diretamente.
O lama anuncia:
— Começaremos agora a leitura do Bardo Thödol.
Ele orienta a família:
— Não chorem. Isso não ajudará e poderá confundir ainda mais o moribundo. O mais importante agora é ajudar a mente de Sonam a permanecer clara e sem perturbações.
Em seguida, instrui:
— Primeiro, movam-no para o lado direito. Assim como nesta estátua, ele ficará deitado da mesma maneira que o Buda permaneceu no momento de sua morte. Nessa posição, será mais fácil para sua força vital tornar-se pacífica.
Segundo o Livro Tibetano dos Mortos, as pessoas continuam sensíveis aos sons durante o processo de morte e também por determinados períodos depois dela. Assim, Sonam poderá ouvir os ensinamentos que podem ajudá-lo.
O lama aproxima-se dele:
— Estamos aqui para ajudar. Sonam, escute-me. Ouça atentamente.
— Agora chegou o momento. Preste muita atenção. Não tenha medo. Você está morrendo e os quatro grandes elementos do seu corpo estão entrando em colapso uns sobre os outros.
— Você poderá sentir como se estivesse sendo esmagado por montanhas, agitado pelas ondas, queimado pelo fogo e levado por um vento intenso.
— Este é o bardo da morte. É importante reconhecer agora a sua verdadeira natureza. Não resista e não tenha medo.
— Filho de uma família nobre, chegou a hora da morte. Deixe sua compaixão tornar-se ilimitada. Deixe sua mente permanecer em paz. Repouse neste vasto vazio, na luminosidade da própria mente.
A dissolução dos elementos
O Livro Tibetano dos Mortos descreve o colapso dos elementos que constituem o corpo.
A terra dissolve-se na água.
A água dissolve-se no fogo.
O fogo dissolve-se no ar.
O ar dissolve-se na consciência.
Surge então uma experiência de luminosidade pura: uma clara luz branca, proveniente da experiência direta da natureza fundamental da mente.
Nessa natureza não há escuridão, separação, direção ou forma. Há apenas uma luz brilhante e ilimitada.
“O brilho radiante é a própria mente, livre das sombras do nascimento e da morte e livre de qualquer limitação.”
O lama continua:
— Sonam, ouça. Uma luz penetrante envolve você completamente. Todo o espaço se dissolveu em pura luminosidade.
— Essa luz radiante é a essência de todos os Budas, de todos os seres despertos. Reconheça que isso é tudo o que existe.
Tüton pergunta ao professor:
— O que acontece se ele não reconhecer sua verdadeira natureza?
O professor responde:
— Há sinais de que ele não a reconheceu. É como se tivesse caído em um sono sem sonhos.
— Ele ainda consegue nos ouvir?
— Agora, não. Mas dentro de três dias sua consciência ouvirá com mais clareza do que nunca. Todos os seus sentidos e emoções estarão vívidos e intensos. Parecerá que ele entrou em uma nova realidade, mas essa realidade continuará sendo apenas uma manifestação de sua própria mente.
A separação do corpo e da consciência
“Porque você não reconheceu sua verdadeira natureza, continuou vagando. Sua própria mente surgirá agora diante de você de maneiras desconhecidas.”
O corpo e a consciência de Sonam já se separaram. A pessoa falecida talvez nem saiba se está viva ou morta. Ela consegue ver a família e ouvi-la chorando.
O lama continua a leitura:
— Sonam, ouça com atenção. Você não está sozinho nessa jornada.
— Não se entregue mais aos desejos e anseios por este mundo. Não há maneira de permanecer aqui.
Como o falecido não conseguiu reconhecer a luminosidade da própria mente, suas experiências começam a assumir formas produzidas pelas imagens de sua vida anterior.
Ele vê seus amigos e tenta falar com eles, mas eles não conseguem ouvi-lo nem responder. A morte o separou deles.
A tristeza atinge seu coração quando ele vê a família e os parentes chorando ao redor da cama. Porém, já não é ele quem está deitado ali. O que permanece é apenas um cadáver.
O lama prossegue:
— Sonam, escute-me cuidadosamente. Em breve você experimentará intensamente os seus próprios estados emocionais, que aparecerão como formas luminosas, pacíficas e iradas.
— Não tenha medo. Elas não podem feri-lo. Você está morto. Não se apegue ao passado. Siga em frente.
— Sonam, siga adiante. Você está morto. Não se apegue ao passado.
A impermanência
Pema Chöden ensina que, embora o mundo pareça estável e sólido, nada aqui é permanente.
Assim como a água, a neve e o gelo, a vida está sempre se transformando.
Alguém pergunta ao lama:
— Por favor, fale-nos mais sobre o bardo.
Ele responde:
— Toda a existência é uma espécie de bardo. Viver significa permanecer em uma atmosfera de incerteza, movendo-se sem encontrar um lugar definitivo de descanso.
— Então estamos agora em um bardo?
— Sim. Estamos atravessando o bardo da existência. Tentamos construir algo duradouro e seguro, mas ninguém jamais conseguiu fazer isso. Nossa vida está sempre nas mãos da morte.
— A morte é um tipo diferente de bardo?
— Sim. Quando morremos, percebemos que nossa experiência está completamente fora de nosso controle. Ficamos inteiramente nus.
— Qual é o melhor caminho para atravessar o bardo?
— É necessário despertar agora. Observe sua própria mente. Perceba quando ela está calma e tranquila e quando corre descontroladamente. Foi isso que o Buda fez e foi isso que ele ensinou.
As projeções da mente
O lama volta a falar com Sonam:
— Escute com atenção. Você não sabe quem é nem onde está.
— Agora encontrará sua própria mente na forma de projeções que parecerão vívidas e absolutamente reais.
— Você verá uma penetrante luz azul brilhando ao seu redor. Essa é a essência da própria consciência, o Buda Vairocana. Sua sabedoria é como um espelho, refletindo tudo exatamente como é. É a consciência em sua completa pureza.
— Essa sabedoria é inseparável do seu próprio coração.
— Você também verá uma luz branca suave e difusa. Evite segui-la. Caso seja atraído por ela, poderá ficar preso aos prazeres temporários de nascer como um deus, vivendo na ignorância da passagem do tempo e ainda sujeito a uma morte inesperada.
As divindades pacíficas e iradas
As formas das divindades que Sonam encontrará representam a sabedoria existente em seu próprio coração.
Primeiramente, as 42 divindades pacíficas emanarão de seu coração. Depois, as 58 divindades iradas surgirão de seu cérebro. Elas aparecerão uma após a outra e, posteriormente, todas juntas.
As divindades pacíficas são imóveis e invencíveis.
Caso ele não consiga entrar em seu vasto espaço benevolente, abandonando o egocentrismo e o medo, essas divindades se transformarão em figuras aterrorizantes e iradas.
Elas beberão o sangue de seu apego ao ego e esmagarão suas ilusões.
Se ele as reconhecer como expressões da própria mente, compreenderá que elas são a face implacável do despertar.
As formas iradas, surgindo do próprio cérebro do falecido, aparecerão diante dele de maneira nítida e concreta, como se fossem verdadeiramente reais.
O terror e a raiva que ele sente são seus próprios esforços para evitar o despertar completo.
Ele vagueia incerto pela paisagem de sua mente. Caso reconheça essas aparições como suas próprias projeções, a libertação será instantânea.
A cremação
Oito dias depois da morte de Sonam, seu corpo é cremado.
Isso é feito para que ele não possa mais se agarrar ao antigo corpo e para que seus parentes e entes queridos também consigam libertá-lo das amarras do apego.
Seu corpo é oferecido ao fogo.
A família recita:
“Busco refúgio no Buda.
Busco refúgio no Dharma.
Busco refúgio na Sangha.”
A viúva de Sonam faz essa oração não apenas por ela mesma e por seu marido, mas para que todos os seres sejam libertados do sofrimento.
O lama fala à família:
— Já se passaram oito dias desde que Sonam morreu, mas ele ainda vagueia pelo bardo. Neste momento, está vendo as divindades iradas. É um período difícil para ele.
— Continuem pensando nele. Continuem orando e encorajando-o. Isso o ajudará a encontrar seu caminho.
O lama retoma a leitura:
— Sonam, preste atenção. Não tenha medo nem fique perplexo.
— As grandes divindades iradas que surgem diante de você são a presença da sua sabedoria inata, a forma vívida de seu próprio estado desperto.
— Reconheça-as como reflexos de sua mente. O reconhecimento e a libertação acontecem simultaneamente.
As emoções como máscaras
Todos sentimos pequenas faíscas de raiva, lampejos de paixão e pontadas de ciúme.
A partir dessas sementes, podemos nos transformar em pessoas ciumentas, raivosas ou dominadas pelos desejos. Dizemos: “É isso que eu sou” e passamos a agir de acordo com essa crença.
Entretanto, essas identidades são apenas máscaras. Esquecemos que estamos usando essas máscaras e passamos a fugir das máscaras usadas pelas outras pessoas.
As divindades iradas também são apenas partes da própria mente.
Por isso, é impossível fugir delas. Elas são a agudeza da própria clareza. Estão todas dentro da mente.
Mesmo assim, é difícil não considerá-las assustadoras.
Depois, todas as divindades pacíficas e iradas surgem ao mesmo tempo, preenchendo completamente o espaço diante do falecido.
Se ele não reconhecê-las como projeções de sua mente, elas se transformarão na imagem aterrorizante do Senhor da Morte, com presas rangendo e olhos brilhantes.
Essa imagem também é apenas uma projeção. Porém, se ele não reconhecer isso, seu medo e sua agitação o obrigarão a vagar aterrorizado em direção ao bardo do renascimento.
O bardo do renascimento
Quando estava vivo, Sonam era ocupado demais para examinar sua vida com atenção.
Agora, três semanas depois de sua morte, ele continua seguindo o fluxo de seus antigos hábitos mentais. Ainda não consegue reconhecer sua natureza fundamental.
Ao deixar o bardo da natureza da mente, ele volta a se perder. Procura pôr fim ao sofrimento nascendo novamente em uma família e em um lugar que lhe pareçam sólidos e familiares.
No bardo do renascimento, todos os sentidos tornam-se extremamente aguçados. A consciência assume a forma de um corpo sem substância.
Esse corpo mental pode transformar-se por meio de um simples pensamento. Pode viajar para qualquer lugar como se possuísse poderes miraculosos. Pode atravessar montanhas, percorrer o universo e entrar em qualquer local.
Porém, não encontra em parte alguma um lugar para descansar da dor de sua peregrinação interminável.
A ideia de renascer parece, então, prometer um grande alívio.
O lama fala:
— Sonam, escute com atenção. Você ainda pode ver sua família, mas eles já não sabem que você está com eles.
— Você pode ir a qualquer lugar que desejar, porém não consegue diminuir a velocidade. Está sendo levado pelos ventos da esperança e do medo, como uma folha morta carregada por uma tempestade.
— Ainda incapaz de reconhecer sua própria natureza, sua raiva, seu desejo e sua confusão tornam-se cada vez mais intensos e sólidos.
— Finalmente, eles aparecem diante de você como reinos inteiros nos quais poderá parar e habitar.
— Sonam, agora todos os seus pensamentos desesperados o perseguem como feras e exércitos de demônios.
— Você se moverá para trás e para a frente, em direção a tudo aquilo que deseja.
— A imagem do seu corpo anterior está se tornando tênue, enquanto a imagem do seu futuro corpo torna-se cada vez mais clara.
— Qualquer nascimento parece melhor do que a dor que você sente agora.
— Sonam, esta será sua última oportunidade. Deixe sua mente possessiva dissolver-se completamente.
— Caso nasça como um deus, um ser humano, um animal, um fantasma faminto, um deus ciumento ou um ser infernal, você novamente sofrerá os tormentos inevitáveis da vida e da morte.
Os mundos criados pela mente
Se todos estão presos nesses bardos de sofrimento e ilusão, o que podemos fazer?
As pessoas transformam os próprios mundos em reinos infernais por meio da raiva. Criam mundos baseados na paixão, na inveja e na complacência.
Projetamos nossos estados emocionais e depois acreditamos que essas projeções constituem o mundo real.
Entretanto, independentemente do que aconteça, todos desejam a felicidade e todos desejam receber compaixão.
O melhor que podemos fazer é desenvolver uma compaixão verdadeira por todos os seres e também por nós mesmos.
Nossa compaixão deve ir além dos amigos, familiares e pessoas de quem gostamos. Ela deve estender-se a todas as pessoas e a todos os seres vivos.
De algum modo, parece que, enquanto não nos tornarmos seres que verdadeiramente se importam com os outros, jamais conheceremos plenamente nossa própria mente.
Podemos ter percepções elevadas e impulsos puros, mas logo retornar aos antigos hábitos sem sequer perceber.
Precisamos trabalhar continuamente para abrir o coração e buscar a verdade. Caso contrário, não haverá compreensão nem propósito.
Também não é uma má ideia conservar, ao longo da vida, um bom senso de humor.
A escolha do renascimento
Sonam aproxima-se do final de sua jornada.
Ao chegar ao fim do bardo do renascimento, as características do mundo em que poderá nascer tornar-se-ão muito claras. Caso preste atenção, poderá encontrar um caminho para uma situação favorável.
O lama orienta:
— Sonam, escute com atenção. Você está agora a caminho do renascimento. Escolha cuidadosamente onde nascerá.
— Entre todas as possibilidades que surgem diante de você, escolha um bom nascimento humano, em um lugar favorável, para que possa continuar no caminho de reconhecimento da própria mente.
— Mesmo que esteja desesperado por um lar, uma caverna escura em uma floresta poderá conduzi-lo ao nascimento no reino animal.
— Caso seja consumido pelo desejo, o reino dos fantasmas famintos aparecerá como uma região interminável, na qual a vida é governada pela fome e pela sede.
— A raiva, a amargura e a ira abrem diante de você todas as imagens dos reinos infernais.
— Os deuses podem desfrutar de todos os prazeres dos sentidos, mas a morte surge para eles de maneira tão repentina quanto um odor desagradável trazido pela brisa do verão.
— Coloque sua mente em equilíbrio. Evite os extremos do prazer e da dor. Procure nascer onde ainda possa reconhecer a essência luminosa de sua própria mente.
O significado da vida e da morte
Será que Sonam se lembrará de sua jornada quando nascer novamente?
Talvez se torne mais sensível em alguns aspectos, mas ainda assim estará começando outra vez.
Isso demonstra que nascer não é necessariamente algo a ser celebrado, assim como morrer nem sempre é algo a ser lamentado.
O nascimento não representa necessariamente alegria, e a morte não representa necessariamente uma tragédia.
Qual é, então, o sentido de nossa jornada pela vida e pela morte?
Buscar a verdade e praticar a compaixão.
É dessa maneira que a vida se torna significativa.
Assim como acontece com uma jovem noiva, o início de uma nova vida sempre carrega consigo uma promessa.
“Quando você nasce, você chora, mas o mundo inteiro se alegra.
Quando você morre, o mundo chora, mas você pode encontrar a Grande Libertação.”
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